O nosso jeito único de viver é... Com Sotaque.

italiana

O gosto que a saudade tem

Tem dias que a gente acorda com uma fome que não é de comida. É uma fome de cheiro, de gente, de abraço. Mesmo assim, a gente corre para a cozinha. Tenta fazer aquele feijão que parece com o da mãe, ou come um pote de brigadeiro só para ver se o mundo volta a fazer sentido por alguns minutos.

Vocês sabem que adoro Rubem Alves e ele dizia que a nossa alma é feita de memórias. E a cozinha é o lugar onde essas memórias ganham gosto. Quando a gente mora fora, cozinhar o que é nosso é um jeito de dizer: “Eu ainda existo, eu ainda sou daqui”

Mas a verdade — e a gente precisa ter coragem de dizer isso — é que a comida não cura tudo. Ela é um curativo, não a cicatrização. Você pode comer o melhor pão de queijo de Los Angeles, mas o gosto nunca vai ser o mesmo, porque falta o ingrediente principal: a distração de jogar conversa fora com quem a gente ama, sem pressa e sem fuso horário.

A gente mata a vontade de comer, mas a saudade… essa continua ali, sentada à mesa com a gente. Como dizia o filósofo Gaston Bachelard, a nossa casa natal fica gravada em nós como uma primeira morada da alma. Por mais que a gente mude de endereço, aquela primeira cozinha lá do Brasil continua sendo o nosso norte.

Então, quando você se pegar cozinhando algo de casa e, mesmo assim, sentir um aperto no peito, não ache que está falhando na sua adaptação. É só a sua alma lembrando que o pertencimento é mais do que o que a gente coloca no prato. É o que a gente coloca no coração.

A comida nos mantém de pé, mas o que nos dá segurança mesmo é saber que, em algum lugar do mundo, alguém entende o nosso silêncio e a nossa risada. E isso, infelizmente, não tem receita que ensine a fazer.

E você, já sentiu que nem o melhor prato brasileiro conseguiu preencher o vazio de um domingo longe de casa? Qual é aquele sabor que, para você, é o “cheiro do seu chão”? Compartilha aqui embaixo, vamos trocar essas receitas de saudade.

Temos um episódio todinho sobre saudade com Julia Suleiman falamos de forma bem sensível sobre o que é ter saudade sendo imigrantes e como validar esse sentimento. Clique aqui para ouvir.

Se depois de ouvir você ainda quiser mais suporte, não hesite em procurar por nós, a Julia você encontra nas redes sociais, e para conversar comigo é só me mandar um e-mail, vou adorar te conhecer e te dar suporte.

Com carinho,

Natalia

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